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Ordem dos Psicólogos Portugueses

O Psicólogo do Trabalho pode fazer diferente… e pode fazer a diferença

Os riscos psicossociais associados ao trabalho (desde logo o stress, o burnout e a ansiedade) são hoje responsáveis por perdas elevadíssimas de produtividade e de sustentabilidade de organizações em Portugal e um pouco por todo o mundo. Eles justificam parte significativa do absentismo, do presentismo, dos erros e dos acidentes de trabalho, algo que só em Portugal custará mais de 300 milhões de euros por ano às empresas e na Europa poderá significar perdas de mais de 272 mil milhões de euros. Aos riscos psicossociais poderá juntar-se a depressão relacionada com o trabalho que, segundo um estudo disponibilizado pela Executive Agency for Health and Consumers da Comissão Europeia, poderá significar perdas de cerca de 617 mil milhões de euros na Europa aos diversos sistemas (saúde, segurança social, …).

Pelo que urge questionar: será possível ter uma empresa em desenvolvimento e crescimento sustentável sem promover o bem-estar dos seus colaboradores? E será possível uma empresa construir um plano e uma política nesta matéria sem que avalie o clima organizacional e os riscos psicossociais dos seus colaboradores? Não, não julgo possível. Procurando as empresas, hoje, maioritariamente pessoas com flexibilidade e criatividade, mas ao mesmo tempo criar equipas coesas e dinâmicas e relações de liderança bem conseguidas, só o conseguirão atingir desenvolvendo e mantendo as pessoas, e isso só se atinge quando a organização, além de outros fatores, promove o bem-estar dos seus colaboradores.

Pelo que urge questionar: o que esperam as empresas para avaliar os riscos psicossociais e os prevenirem? O que esperam as empresas para ter uma postura ativa na promoção da saúde (física e psicológica) dos seus colaboradores e prevenir a doença (física e psicológica)? E o que esperam as sociedades (e quem as governa) para mais assertivamente motivar os empresários neste sentido? Em particular, se estas intervenções, além de custo eficazes (diversos estudos apontam para retornos na casa de 10€ por cada 1€ investido na prevenção de riscos psicossociais), são um importante contributo para a produtividade, desenvolvimento económico (das empresas e dos países) e para a sustentabilidade dos seus sistemas de saúde e segurança social.

E os psicólogos podem fazer diferente e a diferença nesta matéria, por detentores de ferramentas e de instrumentos que permitem a avaliação dos riscos, e por competentes na formação, intervenção e na mudança comportamental e organizacional fundamental à prevenção destes fenómenos. Apelo, portanto, a que rapidamente o país e as empresas assumam como desígnio a criação de condições para a existência da figura do Psicólogo do Trabalho (à semelhança do Médico e do Enfermeiro do Trabalho), profissional capaz de, fazendo diferente em matéria de riscos psicossociais, fazer a diferença.

Por: Francisco Miranda Rodrigues, bastonário da Ordem dos Psicólogos Portugueses

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