
"Vivemos num mundo em permanente mudança, que nos exige rápida adaptação a novas situações".
Estamos convictos que já terá ouvido expressões como esta em diversos fóruns. Esta parece, de facto, ser uma forma de descrever o tempo em que vivemos. Cada vez mais a percepção que temos da realidade nos comprova esta premissa.
Não querendo generalizar mas correndo esse risco, o ser humano tem a capacidade e vontade de "atalhar caminhos", de escolher vias que exijam menos esforço. Um exemplo desta tendência configura-se na capacidade excepcional de categorizar e ajuizar que, na generalidade, possuímos. Poderá, porventura, dever-se à percepção de finitude, parte integrante da condição humana, que quando conjugada com uma noção de energia limitada nos impulsiona a fazer uma gestão mais ou menos consciente e mais ou menos cuidada dessa mesma energia. Um outro exemplo pode ser encontrado no nosso país. Estamos habituados a definir-nos e a sermos definidos como o "povo desenrascado", que encontra uma saída, seja ela qual for, para qualquer aperto em que nos encontremos. Tem as suas vantagens mas, simultaneamente, acarreta riscos, pode e tem trazido dissabores. Estamos a vivê-los.
Podemos estabelecer uma ligação à linha de raciocínio anterior através da ideia em que um dos atalhos que referimos acima se concretiza na procura de soluções rápidas, de receitas milagrosas, de iluminados que nos apontem o caminho. Este não é um tema novo, estamos convencidos inclusive que é um tema complexo e intemporal mas que, apesar disso e por essa mesma razão, não deixa de ser actual. Um ínfimo fundamento desta ideia, pode observar-se, por exemplo, no sucesso que os livros de auto-ajuda têm tido nos últimos tempos e nos dias que correm.
É o que chamamos, e a expressão não é nossa mas por razoes éticas não podemos divulgar a fonte, de "fast food intelectual". Continuando a utilizar esta analogia, cremos que hoje em dia, perante as diferentes crises que vemos e que vivemos, não necessitamos deste tipo de comida que, em último caso, nos está a conduzir e nos manterá numa "obesidade". Precisamos sim de encontrar ingredientes de qualidade e de nos mantermos atentos e activos para que os cozinhados que escolhamos fazer não estraguem essas matérias primas. Se as tivermos de alterar de alguma forma que o façamos tendo em mente o desenvolvimento do seu potencial inerente, tornando-as mais saborosas.
Alguns clientes chegam com a ilusão que o Coaching lhes vai permitir acesso a receitas rápidas, replicáveis, e altamente calóricas, perpetuando o ciclo e o sistema existentes. Praticando o "mais do mesmo". Sobretudo nós coaches, mas toda a humanidade não pode esquecer que não deve ser esse o nosso papel. Não é imperativo nem mesmo necessário recorrer à alta cozinha. Devemos sobretudo encontrar os ingredientes certos, cozinha-los de forma simples, não os estragando e tornando-os mais e melhores do que quando nos chegaram pela primeira vez.
Será o Coaching o caminho certo para alcançar tão nobre e ambiciosa meta? Acreditamos que provavelmente não será, se é que existe tal coisa, mas não deixa de ser uma via possível.
Acreditamos também que este conjunto de questões é parte integrante de uma rede bastante mais complexa e abrangente do que aquilo que conseguimos transmitir.